Inovação nas empresas

Perguntas como essas pipocam na mente de quem entende que a capacidade de inovar é elemento fundamental para o sucesso organizacional. Em busca de respostas, a Harvard Business Review (HBR) realizou um estudo de 6 anos para descobrir as origens das estratégias negócios criativas – e muitas vezes disruptivas – em empresas particularmente inovadoras. Para isso, examinaram os hábitos de 25 empreendedores inovadores e entrevistaram mais de 3000 executivos e 500 pessoas que iniciaram negócios inovadores ou inventaram novos produtos para desvendar as diferenças entre inovadores e não-inovadores.

Como resultado, a pesquisa levou a identificar 5 habilidades que caracterizam os inovadores: associação (ou conexão), questionamento, observação, experimentação e networking. Foi descoberto que empreendedores inovadores passam 50% mais tempo nessas atividades do que líderes sem histórico de inovação. Para A.G. Lafley, presidente da P&G, a inovação é a função central de todo líder, independentemente do lugar que ocupe no organograma.

💡 Empreendedores inovadores têm algo chamado inteligência criativa, que permite a descoberta mas difere de outros tipos de inteligência: envolvem seus dois lados do cérebro à medida que potencializam as cinco habilidades acima citadas para criar novas ideias. A maior parte da inovação vem do aprendizado: primeiro entendendo uma determinada habilidade, depois praticando, experimentando e, finalmente, ganhando confiança na capacidade de criar. Os empreendedores inovadores do estudo adquiriram e aprimoraram suas habilidades de inovação exatamente dessa forma.

Embora tenha tido como sujeitos de pesquisa executivos e empreendedores, é válido lembrar que os resultados e insights gerados pelo estudo conseguem ser uma fonte extremamente valiosa de aprendizado e desenvolvimento contínuo para absolutamente qualquer pessoa que busca se tornar mais inovadora, com sugestões que podem ser aplicadas no micro e no macro; tanto a nível individual quanto organizacional.

A seguir, detalhamos com profundidade as habilidades que caracterizam pessoas inovadoras, todas interligadas:

1) Associação / Conexão

É a capacidade de conectar com sucesso questões, problemas ou ideias aparentemente não relacionadas de diferentes campos, sendo fundamental para a inovação. O empresário Frans Johansson descreveu esse fenômeno no “efeito Médici”, referindo-se à explosão criativa em Florença quando tal família reuniu pessoas de uma ampla gama de disciplinas, como escultores, cientistas, poetas, filósofos, pintores e arquitetos.

À medida que essas pessoas se conectavam, novas ideias floresciam nas intersecções de seus respectivos campos, gerando assim o Renascimento, uma das eras mais inventivas da história.

As empresas mais inovadoras do mundo prosperam capitalizando as associações divergentes de seus fundadores, executivos e colaboradores. No plano individual, associações podem também partir de uma mesma pessoa.

Para entender como funciona a associação, é importante saber como o cérebro funciona. O cérebro não armazena informações como um dicionário, onde você pode encontrar a palavra “teatro” abaixo da letra “T”, por exemplo. Em vez disso, ele associa esta palavra a qualquer número de experiências de nossas vidas. Algumas delas são lógicas (como “palco” ou “intervalo”), enquanto outras podem ser menos óbvias (talvez “ansiedade”, devido a um mau desempenho no ensino médio).

Quanto mais diversificada for nossa experiência e conhecimento, mais conexões o cérebro pode fazer. Novas entradas desencadeiam novas associações; para alguns, isso leva a novas ideias e insights que caminham com a criatividade.

Associar é como um músculo mental que pode se fortalecer com o uso das demais seguintes habilidades, que se complementam e compõem um perfil inovador. Ao nos envolvermos nesses comportamentos, desenvolvemos nossa capacidade de gerar ideias que podem ser recombinadas de novas maneiras.

📈 Quanto mais frequentemente as pessoas analisadas pelo estudo da HBR tentaram compreender, categorizar e guardar novos conhecimentos, mais facilmente seus cérebros poderiam realizar, armazenar e recombinar associações de forma espontânea e consistente.

2) Questionamento

Considerado o pai da administração ou gestão moderna, Peter Drucker ressaltou o poder das questões provocativas: “a tarefa mais difícil e importante nunca é encontrar as respostas certas, mas a pergunta certa”. Pessoas inovadoras costumam pensar com frequência em como mudar o mundo, e constantemente fazem perguntas que desafiam a sabedoria comum ou questionam o inquestionável. Para questionar com eficácia, faça como os inovadores:

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a) Pergunte “por que?”

A maioria dos gestores se concentra em entender como fazer com que os processos já existentes (o status quo) funcionem um pouco melhor. Os empreendedores inovadores, por outro lado, são muito mais propensos a desafiar as suposições pensando por outras perspectivas. Sempre faça a si e aos outros perguntas como “por que?”, “por que não?” e “e se?”.

b) Imagine opostos

Roger Martin escreve que os pensadores inovadores têm “a capacidade de manter em suas cabeças duas ideias diametralmente opostas”. Ele explica: “Sem entrar em pânico ou simplesmente se contentar com uma alternativa ou outra, eles são capazes de produzir uma síntese que é superior a qualquer ideia oposta.” Pedir a si mesmo ou a outras pessoas que imaginem e justifiquem posições completamente diferentes pode levar a percepções verdadeiramente originais.

c) Abrace as restrições

Um dos nove princípios de inovação do Google é “a criatividade adora restrições”, já que elas podem servir como um catalisador para ideias inovadoras. Para iniciar uma discussão criativa sobre oportunidades de crescimento, um executivo inovador que participou do estudo da HBR fez a seguinte pergunta: “E se fôssemos legalmente proibidos de vender para nossos clientes atuais? Como ganharíamos dinheiro no próximo ano?”. Isso levou a uma exploração criteriosa de maneiras pelas quais a empresa poderia encontrar e atender novos clientes.

3) Observação

Empreendedores orientados para a descoberta e inovação produzem ideias de negócios incomuns examinando fenômenos comuns, especialmente o comportamento de clientes em potencial. Ao observar atentamente o mundo e os outros, eles agem como antropólogos e cientistas sociais. Akio Toyoda, CEO da Toyota, pratica regularmente a filosofia “genchi genbutsu”, que significa “ir até o local e ver por si mesmo” ou ainda “vá e veja”. A observação direta frequente está embutida na cultura da empresa.

Os inovadores procuram cuidadosa, intencional e consistentemente pequenos detalhes comportamentais – nas atividades de clientes, fornecedores e outras empresas – a fim de obter insights sobre novas maneiras de fazer as coisas.

Muitas vezes, porém, o surgimento de inquietações que geram ideias de negócios inovadoras vem inicialmente da observação cotidiana de pessoas próximas e até da própria experiência dos inovadores.

📱 Por exemplo: a ideia da unicórnio Nubank surgiu quando o empresário colombiano David Vélez precisou abrir uma conta corrente no Brasil mas se deparou com inúmeras dificuldades, exigências e burocracias. Depois de finalmente conseguir abrir uma conta, notou que tudo era muito caro, taxas muito altas para serviços muito simples. Foi daí que surgiu a ideia de criar um banco totalmente digital e sem anuidade.

4) Experimentação

Assim como os cientistas, os empreendedores inovadores testam ativamente novas ideias, criando protótipos e lançando pilotos: o mundo é seu laboratório. Os experimentadores constroem experiências interativas e tentam provocar respostas não ortodoxas para ver quais insights emergem. Como disse Thomas Edison, “não falhei, simplesmente encontrei 10.000 maneiras que não funcionam”.

Todos os empreendedores inovadores entrevistados pelo estudo da HBR se envolveram em alguma forma de experimentação ativa – seja exploração intelectual, ajustes físicos ou engajamento em novos ambientes, por exemplo – e tornaram-a o centro de tudo o que fazem.

Jeff Bezos vê a experimentação como tão crítica para a inovação que a institucionalizou na Amazon: “Eu incentivo nossos colaboradores a irem por becos sem saída e experimentar”, diz. “Se conseguirmos descentralizar os processos de modo que possamos realizar muitos experimentos sem gastar tanto, teremos bem mais inovação.”

É importante criar uma cultura que estimule a experimentação, permitindo erros durante a colheita do aprendizado e enxergando-os como oportunidades, inevitáveis nos processos de inovação: isso é o que separa uma cultura inovadora de uma cultura corporativa normal.

5) Networking

Ao contrário da maioria dos executivos, os empreendedores inovadores fazem networking com o esforço para encontrar pessoas com variados tipos de ideias e visões, a fim de ampliar seus próprios domínios de experiência e conhecimento. Dedicar tempo e energia para encontrar e testar ideias por meio de uma rede de contatos diversos oferece aos inovadores uma perspectiva radicalmente diferente. Redes sociais, eventos e conferências são alguns dos meios que facilitam a construção e interação com esta rede.

A diversidade, assim, é essencial para a inovação, seja numa rede de relacionamentos, nos stakeholders de uma organização ou no time de uma empresa, por exemplo. Conviver e trabalhar, de forma inclusiva, com pessoas que tenham perfis, realidades e backgrounds diferentes – nos planos cognitivo, social, cultural, racial e mais – é capaz de beneficiar com flexibilidade e criatividade cada pessoa autenticamente envolvida, gerando discussões amplamente mais ricas ao levar em consideração a pluralidade de pontos de vista a partir de abordagens múltiplas que se complementam, criando assim soluções mais inovadoras.

🚀 Trabalhar com pessoas diversas nos estimula a reconsiderar, reformular e reconstruir perspectivas para superar desafios; o debate construtivo é o que leva à produção de melhores resultados, com o potencial de seguir sempre evoluindo.

Pratique, pratique, pratique

Conforme os inovadores se envolvem ativamente nas habilidades acima exploradas, eles passam a ser definidos por elas, ficando cada vez mais confiantes quanto a sua criatividade. O pensamento inovador pode ser desenvolvido e fortalecido por meio da prática, e não podemos enfatizar o suficiente a importância de repetir continuamente os comportamentos por nós descritos a ponto de eles se tornarem praticamente automáticos. Isso requer reservar tempo para você e seu time cultivarem ideias mais criativas de maneira ativa.

A habilidade mais importante a praticar é o questionamento: fazer perguntas como “por que?”, “por que não?” e “e se?” pode ajudar a turbinar todas as outras habilidades, inclusive a primeira de todas – a associação. Faça perguntas que imponham e eliminem restrições – isso te ajudará a enxergar de ângulos diferentes. Pergunte o inesperado, o que desafia o status quo, o que ainda não tem resposta.

Para aprimorar sua habilidade de observação, preste atenção em como certos clientes experimentam um produto ou serviço em seu ambiente natural. Passe um dia inteiro observando cuidadosamente as “tarefas” que estão tentando realizar e tente não fazer julgamentos sobre o que você vê. Pergunte-se: “o que é diferente do que eu esperava?” Adquira o hábito de tomar notas aonde quer que vá.

Para fortalecer a experimentação, aborde conscientemente a vida e o trabalho com o mindset de testar hipóteses. Participe de seminários ou cursos sobre tópicos fora de sua área, desmonte um produto ou processo de seu interesse, leia livros que busquem identificar tendências emergentes. Quando viajar, não desperdice a oportunidade de aprender sobre os diferentes estilos de vida, comportamento e cultura local. Desenvolva novas hipóteses a partir do conhecimento que você adquiriu e teste-as na busca por diferentes soluções. Encontre maneiras de institucionalizar pequenos experimentos frequentes em todos os níveis da organização. Reconheça abertamente que aprender através dos erros é valioso, contribuindo muito na construção de uma cultura inovadora.

Para melhorar seu networking, entre em contato com as cinco pessoas mais criativas que você conhece e peça que compartilhem o que fazem para estimular o mesmo nos outros. Você também pode perguntar se elas estariam dispostas a atuar como seus mentores, auxiliando assim na criatividade e inovação. Outra sugestão é realizar encontros regulares, como almoços, para conhecer novas e diferentes pessoas de diversas funções, empresas, setores e localizações. Incentive e converse sobre as ideias inovadoras de todos que as compartilharem e peça feedback sobre as suas.

Vemos assim que se tornar uma pessoa mais inovadora requer um esforço ativo a ser cultivado no cotidiano junto a outras e diferentes pessoas. O slogan “Think Different” da Apple é inspirador, mas incompleto: percebemos que, para inovar, devemos não só pensar diferente, mas principalmente agir diferente – e, como num movimento cíclico, agir diferente para seguir pensando diferente e também o seu contrário.

Ao compreender, reforçar e modelar as habilidades descobertas pela pesquisa da HBR, pessoas e organizações podem encontrar maneiras efetivas de acender a faísca inovadora que existe em cada um de nós! 🧨

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