Sustentabilidade Corporativa

Quando lemos ou ouvimos a palavra sustentabilidade, é comum pensarmos automaticamente em preservação do meio-ambiente, não é mesmo? A própria busca por imagens para ilustrar esse artigo reflete isso, como você pode ver. Mas e se eu te disser que, na realidade, esse conceito vai muito além “das fronteiras do verde”, como afirma a eureciclo, um de nossos primeiros clientes?

Pois é: se formos resumir bem, sustentabilidade seria a qualidade, característica, propriedade ou condição daquilo que é sustentável, ou seja, do que é necessário à conservação da vida, buscando suprir as necessidades do presente sem afetar as gerações futuras, sendo assim multidimensional. Ainda meio abstrato, talvez? Vamos entender melhor:

O que é a sustentabilidade no mundo dos negócios?

A sustentabilidade corporativa (em inglês, corporate sustainability) é uma abordagem que visa criar valor de longo prazo para as partes interessadas (stakeholders) por meio da implementação de uma estratégia que considera e se concentra genuinamente nas dimensões éticas, sociais, ambientais, culturais e econômicas de se fazer negócios. As táticas criadas têm como objetivo promover a longevidade, a transparência e o desenvolvimento adequado dos colaboradores nas organizações.

Muitas vezes confundida com a também importante responsabilidade social corporativa (em inglês, corporate social responsibility ou CSR), de acordo com os especialistas em estratégia e sustentabilidade Pratima Bansal e Mark DesJardine, a diferença entre os dois conceitos estaria, embora estejam conectados, no fato da sustentabilidade corporativa comumente implicar em trade-offs intertemporais visando garantir equidade entre diferentes gerações, isto é, necessariamente pensando no futuro.

A origem do termo sustentabilidade corporativa teria surgido do desenvolvimento sustentável e do tripé da sustentabilidade (originalmente, triple bottom line). Falaremos de ambos logo a seguir – e ao fim, mostraremos o que sustentabilidade tem a ver com propósito.

📗 Na prática: eBook + checklist SUCESSO DURADOURO: PASSO A PASSO PARA UMA ORGANIZAÇÃO SUSTENTÁVEL 📗

O tripé da sustentabilidade

Red Lab Experience

Foi nos anos 90 que o britânico John Elkington – fundador da consultoria SustainAbility e descrito pela Business Week como o “decano do movimento da sustentabilidade corporativa há três décadas” – teria criado o conceito de tripé da sustentabilidade: os objetivos de negócios são inseparáveis das sociedades e ambientes nos quais operam. Embora ganhos econômicos de curto prazo possam ser buscados, deixar de levar em conta seus impactos sociais e ambientais torna essas práticas de negócios insustentáveis.

O termo corresponde aos resultados de uma organização medidos em termos sociais, ambientais e econômicos (ou 3P), adotado para avaliar seu desempenho em uma perspectiva mais ampla a fim de criar maior valor de negócios. O tripé é estruturado pelas dimensões:

  • Social (people ou pessoas) – exemplos: promover bem-estar, saúde, educação, fornecer benefícios, segurança, salários e tempo de trabalho justos. Pode ser subdividida, resumidamente, em necessidades organizacionais ou individuais e questões da comunidade;
  • Ambiental ou ecológico (planet ou planeta) – minimizar o impacto ambiental e pegada ecológica, gerenciar o consumo de energia, reduzir desperdício. Pode ser subdividida, resumidamente, em 3R: reduzir, reutilizar e reciclar;
  • Econômico ou financeiro (profit ou lucro/proveito) – um fluxo de vendas saudável, que foca no atendimento ao cliente e na atração de novos. Trata-se do impacto econômico real que a organização tem em seu ‘ecossistema’ (economicamente falando).

O desenvolvimento sustentável

Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (ONU) – Consolidada em 2015 com 17 objetivos (acima) e 169 metas, esta agenda é um plano global de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade, integrados e indivisíveis ao equilibrar as três dimensões do desenvolvimento sustentável (a econômica, a social e a ambiental).

Desenvolvimento sustentável é um conceito sistêmico – isto é, global, generalizado e interdependente – que abrange várias áreas, estabelecendo-se essencialmente num ponto de equilíbrio entre o crescimento econômico, equidade social e proteção do meio-ambiente. Assim, ele pode ser dividido em três componentes: sustentabilidade econômica, sustentabilidade social e sustentabilidade ambiental – os mesmos do tripé da sustentabilidade –, implicando na integração destes como objetivos sempre que possível.

Formalizado no ano de 1987 pelo Relatório Brundtland (intitulado Our Common Future), um documento elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada em 1983 pela Assembleia das Nações Unidas da ONU, o conceito foi definido como:

“O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades; significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais.”

Ao longo das últimas décadas, vários têm sido os acontecimentos que marcam a evolução deste conceito de acordo com os progressos tecnológicos e o aumento da conscientização da sociedade a respeito. Mesmo antes do Relatório Brundtland, no entanto, já se falava sobre isso: um exemplo é o estudo Os Limites do Crescimento (1972), elaborado por uma equipe de pesquisadores do MIT chefiada pela cientista Dana Meadows, que veio a se tornar um best-seller mundial.

É fato que o atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desproporções: se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro, a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam a cada dia. Foi diante dessa constatação que surgiu a ideia do desenvolvimento sustentável, buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e com o fim da pobreza.

Sustentabilidade e propósito

Prosper for Purpose

Em 2014, o conceito fourth bottom line foi proposto pelo empreendedor Ayman Sawaf, um dos pioneiros em Inteligência Emocional (QE) – embora o professor e pesquisador Sohail Inayatullah já tenha sugerido algo semelhante em 2005 – como uma extensão do tripé da sustentabilidade: adiciona-se mais um P aos 3P já existentes – people, planet e profit –: purpose, ou seja, propósito, que transcende a um valor humanístico e além, sendo o porquê: melhorar vidas, por exemplo, pode ser um fator-chave de motivação para qualquer negócio continuar. Pode levar-se em consideração a empatia, assim tratando colaboradores, clientes e demais stakeholders de tal forma, desenvolvendo valor para o negócio de forma altruísta.

Rebecca Henderson, consultora e professora de Harvard, evidencia e estreita conexão que existe entre ambos os conceitos ao afirmar que a sustentabilidade pode ser fonte de novas estratégias, de inovação e uma forma de dar propósito à empresa e aos colaboradores e outras partes interessadas, aumentando a produtividade uma vez que haveria maior disposição e alinhamento de valores, fortalecendo a marca. Segundo ela, cerca de 80% das pessoas acreditam que as empresas precisam ter um papel central na sustentabilidade: as empresas podem, então, se utilizar disso como um verdadeiro modelo de negócios, e não apenas como uma “cartilha de intenções bonitas”, expôs no HSM ExpoManagement 2016 em São Paulo.

Para Rebecca, o propósito é a “noção de que fazemos parte de algo maior do que nós mesmos”. De acordo com ela, “as empresas que conseguem fazer isso, adotar um propósito com foco moral de forma autêntica, conseguem lançar produtos melhores, constroem marcas mais fortes, e atraem pessoas que acreditam que a sua empresa pode fazer a diferença, e que querem fazer parte disso”. Rebecca defende que quando uma pessoa consegue que seus colaboradores sintam que estão contribuindo para um objetivo maior, a forma como eles se relacionam com a empresa se transforma.

Ainda sobre sustentabilidade, a especialista afirma: “as empresas que se destacam conseguem adotar práticas de autodesempenho de trabalho e implementar políticas de longo prazo e transparência. Isso tem a ver com propósito”. Outro benefício de engajar e conectar os colaboradores com o trabalho tem relação direta com a inovação: “as empresas que mais crescem são as que têm o compromisso emocional para trabalhar diferente, indo além da ideia de que é preciso bater meta”, ressalta. “Para se ter inovação, é preciso ter uma motivação intrínseca, algo que faça sentido para o colaborador” falou, se referindo ao propósito. Mas, para inovar, não se pode negar as mudanças, conclui a professora de Harvard, evidenciando a importância de outro tema que já abordamos anteriormente, a adaptabilidade – competência essencial que pode e deve ser medida, mapeada e continuamente desenvolvida.

E aí, curtiu? Tenho certeza que você aprendeu um pouco mais sobre sustentabilidade corporativa e porque esse tema é tão importante – ou melhor, necessário.

📰Não se esqueça de se inscrever em nossa newsletter no canto inferior direito da página para ficar atualizado(a), em primeira mão, sobre os nossos próximos conteúdos!

Leave a Comment

📍 Cubo
📞 +55 11 99810-2295 
📧 contato@talentacademy.com.br

Quer ficar por dentro dos conteúdos e novidades da Talent Academy? Inscreva-se gratuitamente abaixo: