Você certamente já ouviu falar no tal QI (Quociente de Inteligência) – termo estabelecido em 1912 pelo psicólogo Wilhelm Stern – e, mais recentemente, também em QE (Inteligência Emocional) – popularizada em 1995 pelo também psicólogo Daniel Goleman. Agora anote mais uma sigla caso ainda não conheça, que já se tornou a mais importante dimensão para o sucesso sustentável de pessoas, times e organizações: muito prazer, QA – o Quociente de Adaptabilidade (ou ainda, Inteligência Adaptiva)!

Embora a adaptabilidade vá muito além do trabalho, o QA tende a ser usado para medir o desempenho e avaliar o potencial individual neste contexto, sendo definido por um report da Forbes – referência essencial para este material que você está lendo –, a nível corporativo, como “a capacidade de ajustar percurso, produto, serviço e estratégia em resposta a mudanças imprevistas no mercado.” Abordaremos o QA a partir deste prisma.

Caracterizada pela Harvard Business Review como “a nova vantagem competitiva” em 2011 e descrita pela Fast Company como “o futuro do trabalho” e “a principal preditora do sucesso” em 2018, a adaptabilidade passou de uma das competências mais buscadas pelas empresas nos últimos anos segundo o Linkedin para a mais valorizada hoje em contexto de pandemia, de acordo com pesquisa da companhia de recrutamento Robert Half em matéria do Estadão – e tudo indica que assim seguirá sendo.

Não coincidentemente, a maior parte das demais habilidades citadas estão inclusive englobadas no QA, ou Inteligência Adaptativa

Neste artigo vamos então nos debruçar sobre o QA, um dos conceitos que serviu de base para a construção da mais nova ferramenta em nossa inovadora plataforma de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas: o Mapa da Adaptabilidade. Essa ferramenta irá ajudar nossos clientes a mapear as habilidades essenciais do século XXI, destacando as principais forças e oportunidades de desenvolvimento de seus times. Pois é, ótimas notícias: o QA não é fixo e você é sim capaz de desenvolvê-lo – e isso é consenso entre os estudiosos.

Para a criação desta ferramenta, também nos inspiramos na Teoria U do professor Otto Scharmer do MIT, que combina estudos sobre sistemas, inovação e transformação de lideranças do ponto de vista de uma consciência humana em evolução, focando na condição interior a partir da qual operamos e que nos sugere manter

Uma mente aberta (com o mesmo nome no nosso Mapa): para que vejamos o mundo com novos olhos e sigamos sempre abertos a novas possibilidades

Um coração aberto (nomeado no nosso Mapa como Influência Positiva): para que busquemos enxergar qualquer situação nos colocando no lugar do outro

Uma vontade aberta (nomeado no nosso Mapa como Autogestão): para deixarmos de lado as amarras que nos prendem em nossa zona de conforto, impedindo que entremos em contato com o desconhecido

Tothink

Guarde isso: esse mindset estará implícito com conexão no decorrer de todo o texto. Conseguimos, assim, aprender com o futuro à medida que ele emerge. Para agora então melhor entender o conceito de QA, foco deste artigo, vamos voltar um pouco no tempo?

Primeiro as origens

O termo “adaptabilidade de carreira” foi cunhado pela primeira vez em 1981 por Donald Super e Edward Knasel – enfatizando a interação entre indivíduo e ambiente, além de citar comportamento proativo, equilíbrio e impacto –, mas a primeira menção ao quociente de adaptabilidade propriamente dito só teria ocorrido em 2010 por Stuart Parkin.

No artigo, Parkin descreve o vínculo entre motivação e adaptabilidade e como podemos estar mais dispostos a nos adaptar a algumas áreas do que outras, a depender de fatores como gosto, habilidade e demanda. Muitas vezes evitamos mudanças e nem sempre estamos preparados para nos adaptar, mas é fato que mesmo os menos flexíveis de nós podem aprender. Experimentar mudanças durante a vida é extremamente importante para nossa capacidade geral de adaptabilidade, o que também nos ensina a buscar novas experiências e abraçar a transformação. Para mudar, querer é fundamental – e quanto maior o incentivo, maior a probabilidade de conquista. Também é preciso ver e fazer as coisas de maneira diferente. É necessário olhar para si, se conhecer e se compreender para se empoderar.

Parkin também destaca que a adaptação não deve ser simplesmente uma “resposta à mudança”, mas uma constante, e por isso adaptabilidade: “dado que existem muitos aspectos de um trabalho aos quais podemos ter que nos adaptar – como localização e novas responsabilidades –, o pior momento para fazer isso é quando você é solicitado. O melhor momento para se adaptar é sempre – ao menos que você acredite que nada ao seu redor mudará”, escreve. Isto é, mudar o mindset de meramente “sobreviver” para “prosperar”, com o objetivo de desenvolver o QA a ponto de conseguir inclusive prever o aparentemente imprevisível e até influenciar as mudanças.

A revolução digital não para

Assim como as históricas Revoluções Agrícola e Industrial, a Revolução Digital que se desenrola diante de nós vêm alterando rapidamente o cenário econômico, mas de modo cada vez mais veloz. Embora já se fale da importância da adaptabilidade há um tempo, ela só ganhou maior atenção quando as coisas complicaram. As organizações que antes ainda resistiam à mudança estão sendo forçadas pelo contexto da pandemia – que acelerou intensamente os processos de transformação digital e, consequentemente, teve enorme impacto na economia e no trabalho – a ver as coisas finalmente de forma diferente ao sentir na pele o risco de não existirem mais.

Bom, antes tarde do que nunca. Compreender as maneiras em que e pelas quais podemos mudar – para melhor – impulsiona as perspectivas de trabalho. Líderes astutos que pretendem se manter à frente na economia moderna precisam mudar fundamentalmente sua estratégia em direção ao cultivo da adaptabilidade em suas empresas. Tornou-se cada vez mais crucial que uma organização acompanhe o ritmo das mudanças e consiga adaptar, atualizar e refazer facilmente seu modelo de negócios à medida que a tecnologia avança, que o mercado se transforma e que as necessidades dos clientes evoluam, estes aumentando suas expectativas em relação a rapidez, relevância, qualidade e precisão. Isso é ter um alto QA.

Sam Page da Forbes coloca que “as empresas precisam abraçar as mudanças e encontrar maneiras criativas de se reinventar para permanecerem relevantes.” Uma loja de roupas que não tem a opção de compra virtual ou um restaurante que não faz delivery, por exemplo, certamente sairão prejudicados dessa crise – isso se sobreviverem.

Aprendendo com cases reais

Flops

Testemunhamos um baixo quociente de adaptabilidade em marcas famosas como Blockbuster, Kodak e BlackBerry. Quando o download e, mais recentemente, o streaming se tornou mais conveniente do que ir à locadora de vídeo; quando a praticidade das câmeras digitais se sobrepôs à fotografia analógica; quando a funcionalidade dos smartphones superou o design estático do BlackBerry e seu teclado, foi a adaptabilidade dessas empresas que foi posta à prova.

Não se trata da capacidade de venda, da qualidade do serviço ao cliente ou da força de suas operações internas. Independentemente do grau de competência que exibissem nessas áreas, a dificuldade em olhar, acompanhar, entender e se adaptar às rápidas mudanças do mercado foi o que realmente pesou para tais empresas. Era preciso reconhecer que seu modelo de negócios tornou-se ultrapassado para se reestruturar em torno das novas demandas e das novas tecnologias.

A Blockbuster, por exemplo, poderia facilmente ter usado da sua popularidade e relacionamento com distribuidores como alavanca para lançar rapidamente um serviço de streaming rival e responder à ameaça da Netflix – mas não o fizeram. Fica só a nostalgia, já que em 2011 a empresa declarou falência e foi vendida para a Dish Network. No seu auge, em 2004, a Blockbuster contava com mais de 9 mil lojas ao redor do mundo, empregando mais de 84 mil pessoas e tendo mais de 70 milhões de associados. Em 2020, resta apenas uma única loja em atividade, localizada em Bend, Oregon (EUA).

Curiosamente, a Blockbuster poderia inclusive ter comprado a Netflix por US$ 50 milhões em 2000 – quando esta ainda era uma startup de aluguel de DVDs pelo correio –, mas seu CEO achou a empresa cara e quase chegou a rir da proposta. Em 2018, a Netflix passou a The Walt Disney Company e se tornou a empresa de entretenimento com maior valor de mercado do mundo: hoje nada menos que 158 bilhões de dólares.

Esse é um dos cases que comprova a necessidade de seguir inovando para permanecer no jogo – isto é, nos mostra a importância da adaptabilidade, nos ensinando que precisamos nos manter atentos e abertos às novas realidades e possibilidades.

Getty

Tops

Vejamos agora exemplos de empresas que enfrentaram grandes mudanças em seus respectivos mercados, mas em virtude de uma alta capacidade de adaptabilidade, conseguiram se reinventar com sucesso. O WordPress e a Apple nos dão lições sobre como manter uma relevância firme na criação de produtos dinâmicos que acompanham as transformações do mercado.

No início dos anos 2000, o WordPress era uma mera plataforma de blogs. Hoje, ele é um host abrangente para sites, sendo uma das ferramentas mais utilizadas para conteúdo na web em todo o mundo. A elegante troca que fizeram da área de especialização inicial para uma ligeira variação se deu simplesmente porque o mercado exigia e poucos outros a forneciam. À medida que a necessidade de hosts de sites user-friendly se tornou mais premente, o WordPress passou gradualmente de hospedar blogs para hospedar sites de todos os tipos, recalibrando sua experiência para acomodar as novas necessidades de uma internet em expansão, o que foi apoiado por incessantes atualizações em seus produtos. Ter um site virou algo crítico para aqueles que queriam ser levados a sério em seu campo, tornando essa mudança uma decisão muito inteligente da parte da empresa, que se popularizou por ter um sistema livre, aberto, versátil e fácil de usar.

O que podemos aprender no caso da WordPress é a importância de sistematizar um processo e criar um ritmo pelo qual você atualiza, corrige e re-trabalha seu produto. Para orientar essas atualizações, observe as solicitações dos clientes, os avanços de seus concorrentes e as mudanças na tecnologia e no mercado em geral. Você também pode expandir o objetivo e a função do seu produto, se necessário, bem como o escopo do seu perfil de cliente ideal, quando apropriado.

A Apple, por sua vez, buscando conter a ameaça de ser superada pelos concorrentes com novos modelos e softwares de ponta, tem como modelo de negócios superar seu próprio produto constante e deliberadamente, numa adaptação medida e focada ao disponibilizar ritmicamente versões novas e aprimoradas.

Como a maré interminável de atualizações da interface do WordPress, a Apple se dedica à melhoria incansável de seus produtos, buscando a “perfeição”. Na época em que viu as (até então) concorrentes Nokia e BlackBerry conquistando uma alta participação no mercado, a Apple mudou de rumo e adicionou um smartphone ao seu repertório, mesmo Steve Jobs tendo anteriormente jurado que nunca incluiria um em sua marca – e nunca mais olhou para trás. Hoje, o iPhone é o produto tecnológico portátil mais vendido da história.

A estrutura interna do sucesso

Sim, é possível fazer uma analogia direta entre a estrutura interna de uma organização de sucesso com a condição interior através da qual operamos como sujeitos – aquela lá da Teoria U. É o macro e o micro de uma mesma moeda. Quando falamos de empresas, estamos também sempre falando de suas pessoas – como elas interagem entre si e como interagem com o ambiente.

A Harvard Business Review nos oferece algumas informações valiosas a se internalizar sobre o QA:

Aquilo que não pode ser conclusivamente deduzido consegue frequentemente ser descoberto através da experimentação – como citamos brevemente no início com Stuart Parkin. A experimentação necessariamente produz falhas, mas aprendemos muito mais com elas do que com nossos sucessos. Empresas e pessoas com um alto quociente de adaptabilidade são tolerantes ao fracasso a ponto de celebrá-lo, já que o enxergam como uma oportunidade.

Outro ponto importante: caso esteja na posição de líder/gestor, coisas surpreendentes acontecem quando você dá espaço aos colaboradores para tomarem suas próprias decisões. Hierarquias rígidas e rotinas fixas estão cada vez mais ultrapassadas, carecendo da diversidade e flexibilidade necessárias para aprendizados e mudanças ágeis. Uma estrutura interna com um grau de fluidez, colaboradores autônomos e uma disposição calorosa em relação a conflitos construtivos geram inovação e incentivam o desenvolvimento do quociente de adaptabilidade dos times e consequentemente da empresa.

É essencial, assim, que os gestores estimulem isso através de uma cultura de motivação, segurança psicológica e oportunidades, pensando genuinamente em suas pessoas.

Insights finais

A investidora Natalie Fratto, atual vice-presidente de uma importante estratégia de diversidade na Goldman-Sachs, escreveu em 2018 as seguintes previsões a respeito do QA:

  • Como sociedade, concordaremos que a adaptabilidade é um indicador importante para o sucesso futuro e precisamos de uma métrica para ela
  • Buscaremos novas maneiras de testar nosso QA e melhorá-lo ao longo do tempo
  • Surgirá uma indústria consideravelmente grande para impulsionar nosso QA – de produtos farmacêuticos a treinamento, jogos e mídia

Ela também palestrou um TED Talks sobre adaptabilidade em 2019 no qual apontou que pessoas com um alto QA – ou ainda melhor, pessoas que buscam desenvolver o seu – devem:

Não focar no passado, e sim pensar e olhar para o futuro – perguntar-se “e se?”

Desaprender ativamente – ou, em nossas palavras, reaprender ativamente

Priorizar exploration no lugar de exploitation – isto é, gerenciar o futuro visando crescimento sustentável

Fratto salienta que cada um de nós tem a capacidade de melhorar o QA através da dedicação e trabalho árduo: “pense na adaptabilidade como um músculo: ela precisa ser exercitada. Não desanime se demorar; seguir esses passos [acima] pode te colocar no controle para que, na próxima vez que uma grande mudança aconteça, você já esteja preparado“.

O Mapa da Adaptabilidade, criado com pioneirismo pela Talent Academy, tem o objetivo de promover o desenvolvimento da adaptabilidade individual e corporativa, ao reconhecê-la como a capacidade de maior importância e verdadeira chave para o sucesso sustentável. Com essa ferramenta, passamos a ajudar as organizações a desenvolverem ativamente o seu QA – métrica absolutamente indispensável para o novo normal.

Desde já, uma boa jornada!

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