Arte: Lily Padula

Arte: Lily Padula*

Mais do que nunca, estamos vendo no mundo moderno a democratizacão do conhecimento, ou seja, pessoas e organizações estão compartilhando entre si informações, conteúdos e experiências de forma intensa e acelerada, especialmente no contexto da transformação digital devido à pandemia. De fato, é necessário democratizar o conhecimento agregando não só visões similares, mas também distintas; o que realmente importa é o que faremos e como lidaremos com o conhecimento adquirido – segundo os especialistas, a chave é trazer à consciência, refletir e compreender como podemos mudar de maneira sustentável.

Para se aprofundar nesse tema tão rico, ouvimos a neurocoach Patrícia Gomes (@desenvolvimentohumanolideranca), que tem na bagagem 20 anos de experiência em empresas multinacionais e atua há mais de uma década como consultora em desenvolvimento profissional, humano e de liderança. Patrícia também nos ajudou a conhecer um pouco mais sobre a revolucionária neurociência – como é chamada a área de estudo do sistema nervoso, que tem como principal órgão o nosso cérebro – de forma dinâmica e acessível.

Interdisciplinar, a neurociência conversa com inúmeros outros campos e é aplicável à diversas realidades, nos ajudando a compreender os processos cerebrais que estão por trás do comportamento humano, inclusive quando o assunto é futuro do trabalho – a expert cita pilares como liderança com propósito (purposeful leadership), cultura da inclusão (equidade!), experiência do colaborador (employee experience) e avanço tecnológico, temas centrais no FutureWorks – The Global Employer Forum 2019 da Baker McKenzie.

Por que neurociência?

“Neurocientistas acreditam que as vivências são capazes de impactar o desenvolvimento pessoal, compreendendo que o aprendizado sofre influência dos fatores de repetição, retornos negativos e retornos positivos”, aponta estudo. O sistema nervoso tem a poderosa capacidade de mudar, se adaptar e se moldar quando sujeito a novas experiências.

Conhecer o cérebro é começar a entender como as coisas funcionam dentro de nós para que comecemos a agir também de formas diferentes, abrindo um leque de possibilidades.

Para sair do piloto automático e ter uma vida protagonista, precisamos usar o cérebro a nosso favor para nele estimular modificações positivas em nossas vidas e nas dos outros, e assim ter também o futuro do trabalho na palma de nossas mãos.

O que é importante saber?

🧠 Nosso cérebro recebe muita – e coloca muita nisso! – informação (11 milhões de bits) por segundo, mas temos clareza apenas de 5% a 10% do que acontece: assim, geralmente nossas atitudes são guiadas por processos implícitos e inconscientes

🧠 É padrão do cérebro agir de certas maneiras por desconhecer determinadas situações: nós pré-julgamos o tempo todo em cima de nossas experiências, e é por isso que muitas pessoas desistem de sonhos e objetivos antes de conquistá-los, focando muitas vezes num mesmo caminho para qualquer resolução ou tendendo a agir em “efeito manada”

🧠 Do cérebro, o que vem antes de tudo são as emoções, em seguida os pensamentos – que criam julgamentos, fantasias, ilusões e vão moldando experiências –, e depois o que as outras pessoas conseguem ver: nossos comportamentos e resultados

🧠 Essa constante transmissão de informações ocorre pelas sinapses, desde a barriga de nossas mães: se trata do encontro, da conexão entre dois neurônios, e é daí de onde vêm os famosos insights

🧠 Os cérebros são como galáxias e nenhum é igual ao outro – nossas conexões estão na nossa essência, o que faz mais sentido para uma pessoa não necessariamente faz para outra

Big Life Journal

Se abra para a mudança

Patrícia nos ilustra com o case de uma PcD (Pessoa com Deficiência) física que relatou com incômodo nas redes o fato da pauta da diversidade e inclusão estar tão em voga mas, ao mesmo tempo, ela ainda vivenciar situações que podem ser entendidas como desagradáveis, dá o exemplo: quando se dirigem ao seu parceiro em lugares públicos – como restaurantes – a respeito dela, sentindo-se como se não a vissem como um ser autônomo só por ser cadeirante.

Sua crítica é de imensa validez, mas Patrícia quis agregar a discussão trazendo também o ponto de vista da neurociência para explicar que, justamente por às vezes nos depararmos com situações desconhecidas, pelas quais nunca passamos antes e temos pouca ou nenhuma referência, podemos acabar agindo de formas que reproduzam pré-conceitos sem termos consciência no momento.

“Informação é uma coisa, experiência é outra: devemos julgar menos, olhar os outros lados e considerar a perspectiva do funcionamento do cérebro, nos dados e no embasamento científico, inclusive da própria subjetividade”, assinala a neurocoach, cuja contribuição teve reconhecimento positivo da própria autora do desabafo, nenhum dos ângulos se sobrepondo ao outro mas sim se acrescentando.

“A grande sacada da vida é obter o conhecimento para mudar: é essencial a abertura e a tomada de consciência”, nos conta a expert. Caso contrário, a pessoa pode acabar continuando a repetir certas atitudes capazes até de prejudicar relações de naturezas diversas. E, embora a mudança – aqui no sentido de seguir para uma evolução – implique trazer à consciência, o contrário não é necessariamente verdade: há também casos de pessoas que tem consciência de seu comportamento, mas seguem repetindo-o mesmo sabendo que ele pode ser danoso a outras pessoas ou grupos, tendo muitas vezes fortes crenças limitantes e um ego imaturo que se recusa a olhar e escutar ao outro, tendendo a se fechar em si.

Colha os frutos amanhã

Bea Crespo

O princípio organizador do cérebro segue dois caminhos de reação: se afastar (ameaça) ou se aproximar (recompensa). Para garantir nossa sobrevivência, ele geralmente vai pela primeira opção, nem sempre por se configurar como uma ameaça, mas no mínimo como algo que nos dá receio, que é diferente ou se encontra fora da nossa zona de conforto – que nos faz perguntar, “será que vale a pena”?

A recompensa – isto é, optar por se aproximar – é sempre mais gratificante, mas também sempre mais difícil, pois para alcançá-la precisamos passar por obstáculos. Um momento ou fase de dificuldades situado no passado e hoje superado pode trazer muita satisfação no presente após termos enfrentado desafios e aprendido novas lições – idealmente, de forma contínua.

Sobre o avanço e aceleração da tecnologia, por exemplo, Patrícia fala da importância em não focar no medo comum de perder o emprego para ela e ser substituído, mas sim buscar se reinventar, se adaptar e flexibilizar, pois sim, é possível.

Conecte para engajar

Os stakeholders buscam hoje organizações éticas, sustentáveis, responsáveis e que se dedicam sinceramente às pessoas, cultivando uma verdadeira política de gestão humanizada muito acima do lucro: de dentro para fora, empresas que tenham uma causa e impacto positivo na sociedade, a longo prazo.

Importante dentro e fora do trabalho, o interesse genuíno, conta Patrícia, ocorre quando quando você realmente busca entender o que e por que uma pessoa sente, pensa e se comporta de determinada maneira, o que gera conexão e confiança.

Temos a tendência em nos aproximarmos de pessoas parecidas conosco por ser algo para nós conhecido, mas é preciso trabalhar com a diversidade conhecendo pessoas diferentes inclusive de pensamento, conectar e reconectar em todos os momentos, principalmente nos de divergências: entender, estimular, desenvolver e ajudar a moldar outras pessoas e seus comportamentos também nos apoia para seguir em nossa própria busca.

Só errando para inovar

No chamado mundo VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade), é preciso errar para inovar – afinal, nada mais humano que isso e criar novas conexões a partir de novas experiências –, afirma Patrícia.

Por padrão, nosso cérebro procura segurança, automatização, acertos e caminhos já conhecidos, mas o que de fato precisamos são justamente os erros, a flexibilidade, a multidisciplinaridade e a responsabilidade para que possamos aprender e evoluir, testando soluções novas.

Desafie com afeto

Primeiro a afetividade e depois o desafio: caso contrário gera-se reatividade, reação involuntária excessiva a um estímulo externo a qual tentamos evitar dentro e fora do mundo corporativo, aponta Patrícia.

O componente afetivo do reconhecimento, do servir de inspiração, da convergência de propósitos, do lutar pelos mesmos objetivos, de celebrar cada conquista, da relação olho no olho e de pertencimento, permite que seja efetiva a autonomia, a autoconfiança, a clareza de metas, a disciplina, o foco, o acompanhamento de resultados e o lançamento constante de desafios.

Construa hábitos colaborativos

Dale Edwin Murry

Cada indivíduo precisa se enxergar como protagonista de sua vida, de sua história e de seu trabalho para se movimentar, e o papel das empresas e de sua política de gestão de pessoas nisso é de muita importância.

De acordo com a neurociência, as empresas podem sugerir três novos hábitos que o cérebro reconhece como recompensador:

1- Criar uma cultura receptiva e encorajadora

2- Reconhecer as lideranças informais

3- Gerenciar a reatividade

Patrícia conclui apontando que, como pessoas, podemos também focar nos hábitos colaborativos de:

1- Antecipação: não podemos prever o que vai acontecer, mas podemos desenvolver a clareza do que queremos nos tornar

2- Flexibilidade: esteja preparado para se adaptar à um cenário diferente, afinal, as mudanças serão constantes

3- Humildade: algumas certezas submetidas a prova da nova realidade podem falhar – seja rápido para perceber esses sinais e transformá-los.

E aí, tá esperando o quê pra começar esse processo revolucionário de conscientização, abertura e mudança positiva? Para usar a maleabilidade do cérebro a seu favor e se colocar como personagem principal em todos os âmbitos de sua vida, inclusive no futuro do trabalho, que já é hoje?

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