“Liderar sempre foi desafiador, mas agora é mais ainda” diz o especialista Persio Cordeiro

A relação do(a) líder com seu time é interdependente, ou seja, os dois lados dependem um do outro para dar certo. E para falar deste tema ouvimos um dos mais renomados especialistas na área de desenvolvimento de liderança, Persio Cordeiro, sócio-diretor da Pro Humana, empresa focada no Desenvolvimento Inteligente de Líderes.

Expert em soft skills, Persio ajuda profissionais a ampliarem suas competências de liderança e gestão de pessoas. Em seus programas de desenvolvimento individual de líderes, ele orienta o ajuste de comportamentos e o fortalecimento da reputação de executivos.

Persio conta que a maior parte das empresas ainda seguem um modelo mais tradicional de gestão, e que só em tempos mais recentes, muitas vezes “na marra”, vêm buscando ser mais horizontais e participativas – a própria crise atual está fazendo com que as empresas adotem o home office, muitas pela primeira vez. A vantagem dessa mudança no trabalho remoto é que ela dá mais autonomia aos colaboradores, um dos principais drivers motivacionais das pessoas, segundo os dados da base da Talent Academy. “Lideranças mais colaborativas com propósito evidente e clareza de objetivos podem funcionar super bem”, explica.

As dicas que o expert separou para nós a respeito da liderança remota não valem somente para o momento de agora, mas também para o futuro: “o trabalho remoto vai persistir”, afirma com veemência. Confira e aproveite:

1. Clareza

Persio informa sobre a necessidade dos colaboradores terem (muita!) clareza do que se espera deles em relação aos assuntos que estão conduzindo e entregas a serem feitas – isto é, clareza de papel, responsabilidades, compromissos –, ainda mais fundamental no meio virtual, já que há uma certa distância e um pouco mais de liberdade.

Para isso, o líder não pode depender apenas de esperar que cada um se organize sozinho, mas ele tem como dever garantir essa clareza definindo as expectativas que existem para que as pessoas tenham um norte para minimamente se planejarem – e consequentemente se movimentarem e trabalharem bem remotamente.

Persio recomenda que checkpoints para verificação do que foi e está sendo realizado possam ser feitos de preferência diariamente – e em times mais maduros, com frequência semanal.

2. Empatia

Olhar e compreender a realidade e o momento de cada pessoa, além de suas limitações e facilidades, consta no papel do líder, conta Persio. É importante manter uma comunicação frequente com os colaboradores – o que não significa ficar o dia inteiro fazendo calls, mas dar espaço para as pessoas pessoas falarem, mostrando que se interessa e as fazendo se sentir parte do time e da empresa –, buscando mantê-las alinhadas principalmente em tempos de incerteza e preocupação demonstrando um cuidado que fortaleça um vínculo mesmo a distância.

O expert nos conta mais exclusivamente em vídeo:

3. Produtividade

Persio aponta para a importância do líder procurar, ainda mais online – onde há mais flexibilidade mas também mais dispersão –, manter as reuniões bastante produtivas: “no virtual, tudo vira uma reunião, mas nem tudo precisa ser: esse excesso causa perda de interesse e improdutividade”, afirma.

O expert orienta que, em primeiro lugar, o líder deve se perguntar antes de marcar uma reunião se ela é de fato necessária. Caso seja, organize-a antes e informe aos colaboradores o que eles precisam saber a respeito da reunião para dela participarem e se prepararem: esses passos ajudam a mantê-la produtiva.

O papel do líder aqui é, então, favorecer ou garantir que a reunião seja o mais produtiva possível, podendo ser direcionado pela questão-chave: o que podemos fazer antes da reunião para que a aproveitemos? O segredo parece estar na organização e planejamento prévio, além da informação transmitida de maneira clara aos colaboradores.

4. Transparência

Manter e garantir um diálogo transparente é muito importante para que se construam relações de confiança e para o alinhamento dos colaboradores com a empresa, ressalta Persio. A tomada de decisão conjunta a distância pode ser mais difícil, já que a dinâmica é um pouco diferente. O líder precisa cuidar a respeito de como as pessoas estão trabalhando entre si, interagindo de forma que as coisas estejam combinadas entre eles.

Assista o vídeo para saber mais:

5. Inteligência emocional

Pela perspectiva da filosofia Ikigai, inteligência emocional é a competência responsável por boa parte do sucesso e da capacidade de liderança de um ser humano. Para Peter Salovey e John D. Mayer, psicólogos e pesquisadores pioneiros no assunto, a inteligência emocional consiste na percepção, uso, compreensão, controle e na transformação das emoções.

Para Daniel Goleman, renomado jornalista científico e psicólogo, dentre as habilidades da inteligência emocional temos autoconhecimento emocional, automotivação, reconhecimento de emoções em outras pessoas, habilidade em relacionamentos interpessoais, que são importantes para organização de grupos, negociação de soluções, empatia e sensibilidade social.

Segundo Persio, é muito importante que um líder tenha inteligência emocional, já que, a partir do momento em que tem um papel de influência, ele deve saber lidar com as próprias emoções e emoções do time, mesmo com conflitos, crises e sob pressão. Isso contribui para que os colaboradores se sintam mais confiantes e engajados em seu trabalho.

Saiba mais sobre cuidados em saúde mental e emocional em tempos de crise clicando aqui.

6. Evolução

Mas afinal, qual o verdadeiro papel, a missão, a essência, o diferencial de um líder?

Spoiler: desenvolver pessoas.

Persio lembra que a informalidade e acessibilidade do trabalho presencial facilitam a percepção do líder a respeito do time, ao passo que no virtual isso pode não ser tão nítido. É exigido, então, mais empatia, atenção e cuidado vindos do líder, e que ele continue incorporando no dia a dia da empresa o delegar de responsabilidades e oferecimento de oportunidades, além de planejar, desafiar, treinar, dar feedback e formar sucessores. Ele deve sempre contribuir para que a equipe se torne cada vez mais autônoma e evoluída.

Saiba mais no vídeo:

7. Infraestrutura e ferramentas

Último mas certamente não menos importante, algo que deveria ser primário é que, para um bom e efetivo trabalho remoto, Persio assinala a necessidade de que todas as pessoas do time tenham as ferramentas e infraestrutura adequada para realizarem suas atividades. Para isso, o líder precisa garantir que todos não só as tenham como funcionem bem.

Indicamos algumas ferramentas úteis para trabalhar remotamente em nosso artigo Home office: transformando o momento atual em oportunidade.

Neste período, em questão de produtividade e engajamento, Persio nota que há quem tenha se adaptando muito bem, há quem não – isso também depende de condições externas como das próprias casas das pessoas, que agora também se tornam seu ambiente de trabalho, exemplifica: existência de filhos, quantas pessoas moram junto, etc. Cabe ao líder observar, entender, ajudar.

Gostou?

Sobre os pontos trazidos neste artigo, há os que são mais comportamentais, enquanto outros são mais relacionados a observar o que é mais relevante para o time. O que importa, coloca Persio, é que todos eles precisam estar no radar de um(a) líder.  

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